quarta-feira, 9 de abril de 2014

Entendimento

Entendimento 

E chega uma hora em que 'a gente' consegue ler os olhos e entender os silêncios ...

Por Edilaine R.
09 abril 2014, 10:36h

Respostas

Respostas

E a gente vive num mundo em que algumas pessoas ( talvez, a maioria ) tem resposta pronta - imediata - para tudo. 
Logo, é muito nada para tanto tudo. 
Não, eu não sou essa gente que responde de pronto - muito porque não vive na superfície das coisas. 
Eu levo ... lá de minutos a horas pensando ... e pensando. Sim, isso é 'coisa' que parece esdrúxula.
O mundo é estranho. Pois, não somos justamente nós que nomeamos as coisas - todas - para que elas nos pareça familiar e menos assustadoras?
Mas, cá entre nós ...não lhe parece estranho ter resposta pronta para algumas 'coisas', por exemplo, como nos sentimos em relação a algo ou alguém?!
Mais, se o mundo e tudo muda o tempo todo, as respostas de ontem - são válidas ainda hoje e serão as mesmas para amanhã ?!
É, alguns de nós - destoamos desse blá, blá, bá ...


Por Edilaine R., 
08 abril 2014, 09:50h

Do cotidiano

Do cotidiano 


É raro encontrar alguém que olha para as nuvens e repara na lua. 
Se o céu está claro, se mostra um azul profundo com imensidão infinita como um sonho bom.
Se o vento sopra forte ou uma brisa leve toca a pele; ou ainda se o vento falta.
Nessa correria cotidiana, quase ninguém olha para nada. Nada repara.
Não vê detalhes. Não tem olhos nos olhos. Sem doçura. 
No cinismo amargo do século-vinte-e-um a desconfiança segue de mãos dadas com o desamor.
Aonde foi parar aquela gente que usava o sentimento para conhecer o outro?


Por Edilaine R.,
03 abril 2014, 20:45h

Saudade

Saudade


A saudade é de uma completude irracional - porque contraria toda a lógica e razão. Só faz sentido dentro de um recorte atemporal. 
E na ausência de sentido - nada mais ...


Por Edilaine R.,
09 abril 2014

* Imagem: google




segunda-feira, 5 de março de 2012

Importância do Medicamento Genérico no Brasil

IMPORTÂNCIA DO MEDICAMENTO GENÉRICO NO BRASIL *



Edilaine R.

A produção de medicamento genérico existe desde a década de 1960. Nos países Europeus, bem como nos Estados Unidos e Canadá os medicamentos genéricos são comercializados há muito tempo.

Já no Brasil os genéricos começaram a ser vistos de maneira mais séria a partir da Lei n° 9.787/99 que instituiu normas para a sua produção, dispensação e comercialização. A partir desta Lei sabe-se que o medicamento genérico é um direito inalienável dos cidadãos brasileiros.

Os profissionais que prescrevem medicamentos no Brasil, devem conhecer e reconhecer que o medicamento genérico é um ótimo recurso de adesão ao tratamento farmacoterapêutico a ser sugerido por eles, principalmente por seu baixo custo e qualidade inquestionável em comparação ao Medicamento de Referência. Observando-se que estes profissionais têm o direito de não querer prescrever o genérico.

No entanto, é bom observar que embora os prescritores tenham o direito de não querer prescrever os Medicamentos Genéricos - muitos não o fazem por puro preconceito - e não embasados em pesquisas científicas, pois pesquisas atuais sugerem que estes [ os genéricos ] são tão eficazes quanto os medicamentos "de marca". Logo, alegar que os medicamentos genéricos "seriam inferiores" devido a não ter uma marca ou por serem mais baratos - implica em preconceito.

Explicando os termos.

De maneira simples, o MEDICAMENTO GENÉRICO pode ser entendido como aquele que contém o mesmo princípio ativo (fármaco), na mesma dose (por ex., 5mg) e forma farmacêutica (por ex., cápsula, xarope), é administrado pela mesma via (por ex., oral, injetável), e mesma indicação (por ex., analgésico) do medicamento de referência .

Por sua vez, o medicamento de REFERÊNCIA é, em geral, aquele que obteve o primeiro registro na Vigilância Sanitária. Também pode ser inovador ou original, ou seja, que investiu na pesquisa clínica, no desenvolvimento farmacotécnico, exibindo biodisponibilidade, segurança e eficácia comprovadas.

Assim, o medicamento genérico deve garantir a mesma qualidade, biodisponibilidade, segurança e eficácia do medicamento de referência através dos estudos de bioequivalência. Isto deve ocorrer de maneira que a substituição do medicamento de referência pelo genérico possa ser vantajosa para o consumidor.

Há ainda o medicamento SIMILAR que é a cópia do medicamento de referência. O medicamento similar não foi submetido ao teste de equivalência farmacêutica e portanto não comprova sua intercambiabilidade (possibilidade de troca) .

Enfim, vale lembrar que o Farmacêutico Responsável é quem deve assumir o papel de agente na indicação do medicamento genérico quando o médico não se manifestou em contrário e o balconista jamais poderá efetuar a substituição.
______________________



*Artigo publicado no Jornal Negócios Regionais em 31 Março de 2010. Disponível em:














quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Abismo


Abismo



O abismo é sedutor.



Quem já esteve na beirada de um abismo sabe o quanto este é atraente.
O eco que sobe do fundo encanta : de melodia doce e misteriosa . Um prenúncio de paz ?
O outro pé não ousou a pisar no ar, no nada .
Simplesmente, por nada saber a respeito do ar, a respeito do nada.


Por Edilaine R.
29 Fevereiro 2012 ; 16:57h

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

As pedras no meu caminho ....

Ah, eu adoro pedras ... até as coleciono ,
mas as de gelo sempre derretem eu só fico com as lembranças ...
30 Nov.2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Ídolo: Charlie Sheen ?

Ídolo: Charlie Sheen ?


Edilaine Rodrigues


26 Nov. 2011



No dicionário informal web define-se ídolo como:



(1) Figura, estátua que representa uma divindade que se adora.



(2)Pessoa à qual se prodigam louvores excessivos ou que se ama apaixonadamente: ele é o ídolo da juventude.



(3)Diz-se de certas figuras que desfrutam de grande popularidade (artistas de cinema, cantores populares, jogadores de futebol etc.).



Isto posto, ídolo representa alguém cujas características invocam a mimetização.



Outro dia, vi um post encandaloso que colocava o Charlie Sheen como ídolo. Ídolo, pensei ?



Pensei, pensei e pensei sobre isso por dias. Como pode este ator representar um ídolo ? Ídolo por que ? Para quem ?



Que tipo de gente idolatra este tipo de gente ?



Até onde consta da história desse sujeito ele é obsceno com a própria vida. Bebe além da conta, fuma, usa drogas, briga, surra a esposa . Nem vou entrar no mérito de que dá festas em orgias e tem uma dúzia de amantes. Foi demitido de uma série de sucesso por ser intolerante, irresponsável e mal educado com seu superior.



No mínimo tem problemas de limite - sem aprofundar na natureza psicodinâmica.



O encandalo está em justamente ele fazer sucesso por ser tosco.



Como pode nos dias de hoje - com tanta informação disponível - alguém ainda fazer sucesso sendo tosco ? Adorar um sujeito que é exemplo de tudo aquilo que não se deve ser ?



Não, não se iluda, definitivamente ele não é um gênio incompreendido.



Ah, lembrei o sujeito tem rios de dinheiro - o que "talvez justificaria" ele "poder" ser tosco . É, vivemos em um mundo onde o Capital ainda é o supra-sumo; o mercantilhismo é palavra-chave e idiotices de milionários são toleráveis - quando não capazes de cooptar mentes e juízos.



Se ser intolerante, irresponsável, drogadicto, mal educado torna alguém ídolo - uma divindade a ser copiada; o seu oposto: a tolerância, responsabilidade, bom senso, respeito e educação está "fora de moda" ? Logo, quem não o acha um ídolo e sente mal estar em observar as pessoas reproduzindo comportamentos grotescos , está "out" ?



Dias de escuridão na pós-modernidade ou hipermodernidade.



Com tanta evolução - acabamos por involuir ? Neste ponto, começo a desconfiar da Teoria de Charles Darwin . Não é para menos.



Você já parou para observar o que os "seres humanos" tem feito consigo e com a natureza ? A ideia não era "evoluir a partir de um ancentral comum" ? Ou é exatamente isso que acontece ? Tendo pais toscos os filhos à posteriori serão toscos e meio ?



E onde fica a seleção natural ? A dúvida está posta . Parece que a seleção natural vale para os insetos, animais marinhos, microorganismos e animais não racionais. Sim, neste ponto , não me resta mais dúvida, não vale para os tais "seres humanos".



Enfim, na Era da Escuridão, as luzes são escassas . Os ídolos os piores.





.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A ordem das coisas

A ordem das coisas ...
Tenho para comigo que um(a) bom(a) psicanalista é aquele(a) que quebra a ordem lógica do raciocínio, o padrão, o linear, o perfeitinho e de viés insere uma nova ideia .
12 Agosto 2011, 10:41h

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Memórias do passado

Passado

Não dá para brigar com as lembranças do passado ... diferente do presente, aquele não pode ser aniquilado, apagado ou modificado . Melhor não confrontá-lo ou evitá-lo ... deixo-o vir e ir de vez em quando ... e fico em paz . ( Eu, eu mesma, e Edilaine Rodrigues )
14 Julho 2011, 16:53h


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aniversário

Aniversário !







Edilaine R.






Em todo aniversário eu me lembro das palavras do meu querido amigo psicanalista G. Brun, “Edilaine, aniversário é mais um ano próximo da morte”. Para alguns essas palavras ressoam fúnebres, mas para mim, elas significam a possibilidade de viver mais um ano – se ele me for concedido inteiro.


Possibilidade é a senha e a proposta.


Mais um ano para acertar as contas com os erros do passado; para limpar as arestas; polir a pedra.


Polir a pedra, porque sempre há em nós uma parte feita de pedra bruta, resistente. Nesta pedra eu insisto em jogar água; como diz o sábio ditado popular “água mole me pedra dura ...”


Na medida em que limpo as arestas, vou extinguindo os cantos, as sombras que atrapalham meu campo de visão. Para quem é cego como o morcego, ou como eu, a visão é um ponto chave.


Quem me conhece, sabe que enxergar o que não se vê para mim é de suma importância. E em geral, enxergo aquilo que não se vê com facilidade. A cegueira como limite físico faz coisas extraordinárias – e a natureza sempre compensa uma limitação. Lidar com isso, nunca foi muito fácil. Entretanto, ninguém disse que seria.

Desse modo, vou desvelando os pequenos acontecimentos do cotidiano; olhando de soslaio, pelos vãos e espaços que parecem vazios .


Nesse dia, eu me dou conta de como a vida é cheia de surpresas, nem sempre tão boas, nem sempre tão ruins. Tudo depende de como minha expectativa está vibrando.


Expectativa é fator surpresa. Se for calcado na realidade crua o resultado é “bom”, caso contrário, a decepção é tão certa quanto à morte “ou os impostos”.


Todo mundo se decepciona alguma vez na vida. Comigo não é diferente. Decepção não é um problema, mas, pode ser; eu penso, se você der valor demais a ele.


De vez em quando, uma tristeza surge. Tudo bem, o segredo aqui é a paciência; pois esses momentos são ricos e é justamente quando eu me coloco em frente ao espelho de verdade, me encaro e faço o confronto.


É uma batalha de lágrimas e sangue. Eu choro. Choro muito. Esgoto as lágrimas e vou pro inferno. Depois de passados uns dias lá, eu volto.


Eu sempre volto, muito melhor e renovada. Serena. Inteira.


Já se deu conta de que a alegria verdadeira surge na serenidade? Não precisa de muito, um passarinho que canta, um abraço de um amigo, uma ideia que surge, uma criança que brinca ao lado, sorrir dormindo.


Aniversário é um bom motivo para os R: reiniciar, receber, rever, renovar, realizar.


Cada pessoa pode utilizar uma letra ou usar todo o abecedário.


Daqui para a frente, não há tempo a perder.


Então, vamos lá, mais uma oportunidade que surge, para começar de novo.


Parabéns !


04 Julho 2011, 00:10h

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Verso de encanto

Verso de encanto

Edilaine R.

Fala ... que eu me encanto
com tua fala ...
Ouço ...
Ouço sua voz e o
timbre percorre meu corpo
encantando-o .
Assim, toda encantada eu fico.
(terça , 11:28h)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Silêncio

Silêncio

Edilaine R.


.......................
A cada ano que passa eu silêncio mais. Vou silenciando a fala. Por outro lado, lá na mente as palavras ecoam. Os ecos daquelas tantas palavras que não foram ditas, colocadas para fora.


Na medida que o tempo passa os passos diminuem. A pressa de antes é paulatinamente substituída pela graça do um passo após o outro. Por que a pressa ? Por que correr ( pergunta-me a mente que faz o contrário ) ?


A lentidão do passo destoa com a pressa da mente. A mente vai embora, voa feito águia e sempre me pego caminhando cada vez mais lentamente como se fosse uma tartaruga.


O que a águia tem em comum com a tartaruga ? Nada eu penso, são apenas contrários em sua experiência de caminho, de vida.


O corpo não raras vezes tem vida própria e contraria sistematicamente o que deseja a mente. No entanto, a mente é mais poderosa e ganha sempre do corpo.


Enquanto planejo uma viagem, um passeio, a produção de um texto, a mente vai primeiro - ao destino e volta sem o corpo ter saído do lugar. Encontra pessoas, conversa, troca experiências, volta mais aberta e repleta de conhecimentos.


No silêncio de cada ano os conhecimentos acumulam-se nos baús da memória. Em cada baú há guardado inúmeras histórias e aventuras - que o corpo e a mente juntas produziram.


Em cada história uma imensidão de palavras, sonhos e vivências. Vivências como se sabe, podem ser boas e más. Logo, rememorar essas histórias é vivenciá-las de novo – prontamente, a velocidade da luz, estou lá de volta.


O que eu faço com as reminicências más ? Volto, refaço o caminho, fico triste, choro e final da história sorrio e me pergunto o que o mau me trouxe de bom ? É, porque nada é mau por inteiro ...


Com as histórias e aventuras boas nem preciso dizer que me divirto de novo.


É claro que como não estou morta - embora o corpo insista em querer parar, novas histórias e aventuras vão sendo produzidas no cotidiano. Daí, novos baús surgem e vão dando um jeito de se arrumar nos espaços da mente.


Essa arrumação vai ficando cada vez mais fácil e talvez seja por isso que eu vou silenciando mais a cada ano .

20 Fev 2011 03:00h ( madrugada )
 Meu Livro (em fase de construção): "Um Olhar em viés sobre o Cotidiano"

Insônia

Segunda, 02 Junho de 2010, 16:30h
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Insônia
Edilaine R.
Você já teve insônia ?




Tem noite que ela chega de mansinho. Outra noite ela surge de sopetão, instala e não vai embora até a luz do dia vazar pela janela.
A insônia é fria e calculista. Não tem dó nem piedade. Suga tua energia e te põe à nocaute.
Pode ser leve, transitória, séria e duradoura.
A insônia leve brinca e faz manha, mas deixa você dormir. A transitória te acompanha por um período como ‘passatempo’. Já a séria não gosta de mimos e brincadeiras e te faz sair dos eixos. A mais cruel é a duradoura, pois ela te arrasa, literalmente.
A insônia duradoura cria raízes e se entranha no chão [na alma]. Esta insônia é um contrato firmado e tem até testemunha – psiquiatras, psicólogos e amigos. Por noites a fio te faz fritar na cama, no sofá, no tapete. Perambula-se entorpecido. Inverno, verão, outono, primavera, passa por todas as estações, ela é atemporal.
Ignora as horas e os compromissos assumidos. Sem norte, sem bússola. Perversa deveria ser seu nome, pois te faz sucumbir de olhos abertos. Não pede licença e não se desculpa.
Atacante, se fosse de seleção, marcava todos os gols. Desgovernada, sem freio, sem limites.
Autoritária, implanta ditadura, outorga uma Constituição e lhe enfia goela a baixo, sem acordo, concordância ou diálogo.
A luz do dia seguinte é um contínuo ciclo. Círculo, roda, bola que rola com ou sem vento.
Não te quer parceiro, te quer escravo: te açoita todas as noites, arranca-lhe o sangue, expõe a pele, torna ferida.
Marca com ferro e provoca dor, é ferida aberta, na espera de um dia cicatrizar-se.
Mais um dia, mais uma noite, sucessivamente .


21:02h
Meu Livro (em fase de construção): "Um Olhar em viés sobre o Cotidiano"

Comentário sobre o texto: "Talvez esteja na hora de se promover uma campanha pela moralização dos tribunais em todas as suas instâncias"

Talvez esteja na hora de se promover uma campanha pela moralização dos tribunais em todas as suas instâncias


Comentário sobre o Texto publicado no Jornal - O Estado - Política e imprensa

"Talvez esteja seja na hora de se promover uma campanha pela moralização dos tribunais em todas as suas instâncias".  Isabel Lustosa

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Comentário para refletir:
Edilaine R.

 
Para Moralizar é preciso observar os costumes de uma sociedade.


No Brasil a “práxis costumeira” é a do poder, do capital. Desse modo, quem tem Capital parece tudo poder .. em termos de Legislação, muito embora a Constituição Brasileira postule que todos os brasileiros são iguais perante a Lei.


Logo, para mudar é preciso transformação a começar pelos usos e costumes, ou a Moral e a ética que se origina a partir dela.

01 Agosto 201017:02h

Comentário dobre a Lei da Palmada ( da Deputada Maria do Rosário, PT/RS )

Sobre a Lei da Palmada:

O projeto estabelece ainda “o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos”.

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Comentário para refletir:

Edilaine R.

Penso que na medida crescente em que se retira do indivíduo a possibilidade de escolha - e de ser autônomo - torna-o perdido, dependente e alienado - objetiva e subjetivamente .


A ingerência do Estado Brasileiro parece que nos impurra a cada Lei, Resolução ... cada vez mais para dentro da caverna (lembram-se do Mito da Caverna de Platão ?), afinal alienados não pensam, não sabem pensar e não questionam . Daí quem ousa questionar é dado como louco ou subversivo !


Essa ingerência do Estado no meu ponto de vista, desvela um forte vies autoritário ( e ditatorial ), somente não enxerga quem não quer ou não consegue ver ...


Infelizmente, nosso país caminha por dias escuros ( meu amigo diz, que "não vê luz no fim do túnel", talvez ele tenha razão ), isso é preocupante e triste .


Neste tocante, as poucas mentes pensantes deste país, em grande maioria parecem estar mais preocupadas em arrecadar fundos para manter a salvo o próprio hedonismo.
16:53h

domingo, 27 de junho de 2010

Assertividade


Assertividade

“assertividade é comportamento que faz a diferença”


Edilaine R.
26 Junho 2010



O tema da Assertividade me chama a atenção, pois parece que nos últimos anos as pessoas perderam a habilidade de se relacionar - e em geral, as pessoas reclamam muito ( ao menos para mim – penso que, talvez seja, por eu lhes dar a oportunidade de serem escutadas) que são destratadas, deixadas de lado, agredidas gratuitamente. E em "tempos de Web" a falta de tato fica explícita.
O termo assertividade deriva do latim afirmare, que significa tornar firme, confirmar e declarar com firmeza. Ser assertivo vai além do dizer sim ou não para determinada questão ou situação.
É correto dizer que podemos e temos o direito ser sinceros consigo mesmo e com as pessoas a nossa volta.
No entanto, penso que, podemos expressar nossas ideias, desejos ou sentimentos, de maneira segura e tranquila sem ferir ou agredir os outros.
O comportamento não-assertivo é demonstrado pela “falta de educação e ausência de respeito” em relação ao outro. Sob o meu ponto de vista, a “boa e velha noção”, do bom senso no trato com o próximo – precisam ser praticados no cotidiano.
Oras, um “bom dia!”; um “por favor?”; com “licença?”; “obrigada(o)!”; “disponha!”; não faz mal a ninguém! Muito ao contrário.
Dessa forma, somos assertivos na medida em que olhamos o outro com dignidade e respeito e daí podemos dizer-lhe sim ou não.
É muito gostoso ser bem tratado; ser bem recebido; ser olhado nos olhos, principalmente quando se está ansioso, perdido ou com problemas.
Uso o termo gostoso acima, justamente, porque o gosto evoca sensações primárias (ou básicas) no ser humano, logo, agrada tanto o corpo quanto a psique.
Não dá para ser assertivo de vez em quando, ou com determinadas pessoas, ou ainda conforme o humor do dia. Afinal, somente a prática transforma o mestre em sábio. Se o mestre não pratica o ensinamento – este próprio perde a habilidade do que ensina e suas palavras tornam-se vazias e alheias à realidade.
O modo como o outro pensa pode não nos agradar, porém, o modo como ele pensa merece o nosso respeito – ainda que precisemos dizer-lhe que pensamos diferente.
Aqui está um ponto importante na assertividade. Pode-se pensar diferente fazendo a diferença.
O mundo atual – com sua complexidade cotidiana – exige que sejamos ágeis. Podemos ser ágeis usando a inteligência e criatividade.
Desse modo, a assertividade entra neste contexto como o comportamento que faz a diferença.
Acredito que a assertividade possa ser aprendida. Sempre é possível mudar de comportamento – desde que se tenha vontade – e desejo – para tal habilidade.
O ser humano é plástico em muitos pontos e pode desenvolver aptidões.
Enfim, um solo devidamente preparado e cuidado pode produzir um lindo jardim.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"O Ato de Refletir"

Ensaio,
O Ato de Refletir: para além do meramente pensar


Edilaine R.
21 de Fevereiro de 2010

As informações percorrem o mundo, atravessam fronteiras e possibilitam entrar em contato com conhecimentos antes poucos transmitidos. É a globalização alcançando pessoas e lugares longínquos – um movimento sem volta.
Se por um lado – do meu ponto de vista positivo – atualmente nos deparamos com a crescente enxurrada de informações advinda por todos os lados – livros, textos, jornais, televisão, internet. Por outro lado, é fato que reflexões diante de muitas dessas informações não se fazem presentes; corre-se o risco de perder as referências e conseguinte esmagamento da subjetividade (PINHEIRO, Yan).
Sabemos que em nossa sociedade algumas demandas e necessidades são criadas, assimiladas e apoiadas por grupos dominantes, que determinam as regras do jogo.
Especialistas e doutores de diversas áreas (biológicas, humanas e mesmo exatas) surgem para nos dizer o que comer, vestir, beber, como se comportar, educar, exercitar, medicar . Estes surgem crentes de sua visão de homem e mundo com seu conhecimento teórico dizendo-se cientistas e estudiosos – em geral os são – mas, são só o que são. Esquecem-se de que algumas “verdades são relativas”, que são humanos e a diversidade humana com sua rica singularidade precisa ser respeitada.
De um modo geral, percebemos que não interessa aos grupos dominantes que a classe popular – ou o povão – possa ter poder decisório. Esses grupos alegam que o povo tudo ignora quando se trata de questões que fogem do seu conhecimento. Então, segundo eles é melhora zelar ou cuidar para que não se percam em suas escolhas – já que são ignorantes e carentes de informação.
É neste ponto que o ato de refletir se insere.
Importa trazer a baila temáticas e formas de pensar que possam interferir na vida cotidiana das pessoas.
Um olhar atento, uma analise crítica a respeito de uma situação social é tarefa de todos e não somente de um “grupo de especialistas”. Assim, filosoficamente pontua uma diferença entre passividade e ação, respectivamente.
Refletir gera espontaneamente a questionamentos. Questionar as normas ou as regras de comportamento, nos ajuda a analisar valores, princípios e condutas próprias e sociais.
Através dos questionamentos encontramos afinidades ou distanciamento de um dado modelo de comportamento. Outro ponto a questionar, modelos de comportamentos são sempre passíveis de questões, pois os modelos sempre estão a serviço de algo ou alguém – consciente ou inconscientemente.
O refletir caminha para buscar o pensamento – vários pensares para lá ao longe realizar uma escolha coerente e desejável desalienada. A sabedoria pode vir junto ou não, depende qual caminho se escolhe trilhar.
Desse modo, o caminho a trilhar é ir para além das aparências. Nesse sentido Nietzsche nos convida a pensar, "Todo homem que dotado de espírito filosófico há de ter o pressentimento de que, atrás da realidade em que existimos e vivemos, se esconde outra muito diferente, e que, por conseqüência, a primeira não passa de uma aparição da segunda". (NIETZSCHE e apud BUZZI, 1972, p. 6).
Portanto, refletir é caminhar para além da mera formalidade de pensar. Talvez, o termo desnudar traduza melhor a minha ideia. Logo, refletir leva a um desnudamento e expõe a pele – fato, a situação, o fenômeno.
Olhar sobre estes com cuidado é necessário e de preferência a partir de vários referencias – assim não nos deixa com a “perna manca”; ou presos a um conceito fundamentalista – acreditando ser único e absoluto.
Afirmar conceitos e posições teóricas sem um olhar cuidadoso para outros conceitos e ideias sempre levam a um único caminho – o do fundamentalismo, da intransigência e intolerância. E os caminhos únicos perdem sua riqueza, pois deixa à deriva e segrega outras formas de pensar – marginalizando-as.
Amadurecemos na medida em que temos a liberdade – diferente de liberdade vigiada - para fazer escolhas próprias. Paulo Freire sabiamente nos diz, podemos ser “homem-objeto” ou “homem-sujeito” da nossa história.
As situações e fenômenos cotidianos estão aí para serem refletidos. A disciplina de pensar a partir de si mesmo – consciência desalienada de saberes construídos para perpetuar o poder de uma minoria - permite captar o mundo e até transformá-lo. Possibilita sair da posição de lagarta para a de borboleta – metamorfosear.
Aqueles que detém conhecimentos acerca de sua área de estudo, mas que não conseguem reconhecer fraturas em sua teoria e criticá-la não avança em sua própria forma de pensar. Logo, segundo BELLO, J.L.P. (1994, Vitória), “possuir conhecimento não é o bastante para a transformação”. É preciso mais.
Necessário possibilitar ao outro sair da condição de “homem-objeto” e tornar-se “homem-sujeito” - mente pensante e transformadora.
O Estado, representado pela classe dominante, pela elite política do país não fomenta formar pensadores e indivíduos críticos, já que estes podem colocar em risco o status quo. Logo, alguns professores e mesmo muitos profissionais, ainda que de modo inconsciente realizam o papel de impedir o surgimento de mentes criativas e pensantes, pois estes mesmos estão presos a uma camisa de força fortemente ideológica e invisível, ou falando de outro modo, estão mobilizados em sua subjetividade.
O pensamento que diverge do pensamento dominante incomoda ao Estado e segundo este precisa ser urgentemente contido, se for preciso punido. Michael Foucault explicita com perspicácia essa idéia em seu livro Vigiar e Punir (FOUCAULT, 1975, p.26), “Essa sujeição não é obtida somente pelos instrumentos da violência ou da ideologia; pode ser muito bem direta, física, usar a força contra força (...)”.
Em uma palavra, a “mecânica do poder” espera fielmente a docilidade do sujeito – assujeitando-o através da idéia que este nada sabe - e se não sabe deve-se disciplinar-se, “esta fixa, imobiliza e regulamenta os movimentos”, (FOUCAULT, 1975, p.181 ) segundo as regras e normas daquele que sabe, que conhece.
Dizendo de outro modo, o assujeitamento advém da não permissão a reflexão porque não é permitido questionar, ou ainda nas palavras de FOUCAULT, “as disciplinas são o conjunto das minúsculas invenções técnicas que permitiram fazer crescer a extensão útil das multiplicidades fazendo diminuir os incovenientes do poder que justamente, para torná-las úteis, deve regê-las” (1975, p.181).
Daí o fato de muitas escolas, professores e profissionais estabelecerem limites para a reflexão. As singularidades individuais evaporam – todos tem que pensar de modo semelhante – ainda que na aparência possam ser diferentes.
O crescimento da força individual é logo aparado através do processo de submissão – já que este é colocado em funcionamento a partir das demandas de regimes políticos, instituições (escola, família, sociedade, sindicatos, associações, conselhos de classe).
Fica inserido aqui que não basta ao indivíduo e ou ao Profissional deter conhecimentos específicos acerca de sua área de conhecimento, se este não consegue criar as próprias questões referentes aos fenômenos e realidades que ocorrem a sua volta.
A importância de ir em busca de novos conhecimentos é permitir uma nova reflexão e não meramente ser reprodutor de pensamentos de outros.
Em suma, é preciso responsabilizar-se por suas reflexões, sua história e tornar-se protagonista dela, bem como estimular e mobilizar o outro ao ato de refletir e pensar, ter apreço e buscar as próprias verdades.

Referências:

BELLO, José Luiz de Paiva. O que é filosofia. Pedagogia em Foco, Vitória, 1994. Disponível em: . Acesso em: dia mes ano.

BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao pensar. Petrópolis: Vozes, 1974. 240 p.

CALLIGARIS, Contardo. O Moralizador. Disponível em: http//:www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2003200829.htm

CIVITA, Victor (ed.). Friedrich Nietzsche: obras incompletas. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 416 p.

FOUCAULT, Michael. Vigiar e Punir. 23ª.ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1975

FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. 79 p.

WALBER, A L.S. e GARAY, Ângela B.S..O “Discurso da Vida Saudável” na Cultura Organizacional: A Subjetividade dos sujeitos em Foco. Análise, Porto Alegre, v. 20, n. 1, p. 21-33, jan./jun. 2009. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/teo/ojs/index.php/face/article/viewFile/6199/4491

PINHEIRO, Yan. O Esmagamento da Subjetividade e a Crise de Referências. Disponível em:
http://www.pedagobrasil.com.br/psicologia/oesmagamento.htm

domingo, 1 de novembro de 2009

Episódio selvagem na UNIBAN




Episódio UNIBAN: 'vestido curto' provoca agitação e aluna precisa sair escolatada pela Polícia Militar da faculdade em São Paulo



Edilaine R.


Farmacêutica, Psicóloga Clínica, Especialista em Psicoterapia Breve e Psicopatologia Psicodinâmica






A Universidade - como remete o próprio nome - é lugar de universalizar o conhecimento adquirido ao longo dos séculos e transmitir novas descobertas, e também espaço para abarcar as diferenças.


O episódio ocorrido na UNIBAN demonstra um retrocesso do ser humano ao primitivo. Logo agressividade exacerbada, irracionalidade, ausência de bom senso, educação e respeito ao próximo ficam evidentes.


Mistura de comportamento psicótico e perveso . Observa-se o transbordamento do ID e um Ego demasiadamente volátil, consequência de elementos como infância sem limites, sociedade permissiva e alienante.


Em análise, falta 'modelos' com características humanas e altruístas para identificação, bem como, uma rede social (família, escola, comunidade) coesa que dê conta das inseguranças juvenis; adicionar política pública séria para lidar com desvios de conduta - levando em conta as diferenças individuais e grupais.


No Brasil, parece que estamos aquém de valores como cidadania, educação, respeito, ética e honestidade. Esses valores pertencem, permeiam e são assimilados e cuidados para o bem e permanência de uma sociedade 'sã' .


A construção de uma sociedade 'sã' é de responsabilidade de todas as esferas sociais e passa pelo indivíduo .


Domingo, 01 de Novembro de 2009. 11:01h

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O MANEJO DA INTERPRETAÇÃO NA PSICOTERAPIA BREVE

O MANEJO DA INTERPRETAÇÃO NA PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA

Edilaine R.
Psicóloga Clínica, Especialista em Psicoterapia Breve e Psicopatologia Psicodinâmica

1. Introdução
Psicoterapia é um termo utilizado para definir qualquer tratamento com base nos métodos e propostas psicológicas.
ZIMMERMAN (1999) observa que Freud não diferenciava as denominações ‘psicoterapia’ e ‘psicanálise’ , utilizando-os para “caracterizar o método psicológico” desenvolvido por ele. No entanto teóricos posteriores a Freud buscaram diferenciar a psicanálise da psicoterapia. Assim a psicoterapia fornece ampla possibilidade psicoterápica seja referencial psicanalítico ou de outra abordagem teórica.
A psicoterapia breve de orientação psicanalítica é uma modalidade terapêutica que atualmente vem sendo levada em consideração dada de promover resultado verdadeiro.
A elaboração deste trabalho não pretende esgotar o tema. Tem como objetivo apresentar um caso clínico e centrar-se no manejo da interpretação, pois esta é uma ferramenta terapêutica muito útil na psicoterapia breve (PB).
Este trabalho está composto em duas partes. A primeira consiste em apresentar o trabalho, o objetivo e fundamenta-lo teoricamente a partir do caso clínico em questão. Ainda nesta parte tratamos de compreender o quanto a Psicanálise contribui para a psicoterapia breve observando alguns aspectos do inconsciente. Também tratamos dos aspectos do método e da técnica. Explicamos o trabalho da interpretação na psicoterapia breve.
Entendemos que diferentemente da clínica tradicional – individual – precisamos manejar adequadamente a interpretação, pois nesta modalidade de psicoterapia trabalhamos em cima do foco – previamente definido.
Na segunda parte descrevemos o contexto em que o caso clínico se desenvolveu, bem como a apresentação e análise propriamente dita deste caso.
Finalmente, concluímos o trabalho ressaltando a importância desse tipo de modalidade psicoterápica.

2. CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE

2.1 Contribuição da Psicanálise na psicoterapia breve
A descoberta do Inconsciente por Sigmund Freud vem possibilitando compreender a complexidade dessa força e que leva o sujeito a agir sem que o saiba.
Com Sigmund Freud (1905) conseguimos entender que o sistema inconsciente é repleto de representações pulsionais – “representações inconscientes” – e visa primordialmente a descarga de tensão e busca de prazer. As “representações inconscientes” são formadas por imagens – acústicas, visuais e táteis – impressas no inconsciente e carregados de energia.
O Inconsciente de Freud (1905) abre possibilidade frente ao desconhecido. Embora não seja possível conhecer a natureza do inconsciente, nos é possível reconhecer as suas manifestações. Essas manifestações ou como diria Freud “fenômenos psíquicos” são de várias ordens, como os sonhos, lapsos, atos falhos, chistes e sintomas, ou seja, os fenômenos psíquicos possibilitam investigar o inconsciente e “pode levar ao descobrimento da parte oculta da mente” .

2.2 Aspectos do método e da técnica na psicoterapia psicanalítica
O método empírico psicanalítico proposto por Freud foi sendo estabelecido no decorrer das práticas com os seus pacientes. Assim cuidadosamente, segundo os autores MENNINGER e HOLZMAN (1982) o método ia se fazendo à medida em que ocorriam os encontros com os seus pacientes.
Pudemos observar à partir das leituras especializadas que embora Sigmund Freud tenha se preocupado com a técnica psicanalítica do começo ao final nas suas investigações , e de acordo, MENNINGER e HOLZMAN (1982, p. 22) “Freud nunca dedicou exclusivamente um livro à técnica”, no entanto, seus seguidores o realizaram. Daí, surgiram inúmeros livros que discorrem sobre esse tema.
Faz em torno de um século que Sigmund Freud escreveu sobre os princípios fundamentais da psicanálise e desde então, é seguido a risca – pelo menos – por aqueles profissionais que realizam trabalho sério .
NASIO (1995) examina que FREUD em “Psicanálise e Teoria da Libido” nos explica o seu método da seguinte forma
Psicanálise é um método de investigação dos processos psíquicos que, de um modo ou de outro, são praticamente inacessíveis (...) método de tratamento dos distúrbios neuróticos que se fundamenta nessa investigação” (FREUD apud NASIO, 1995, p. 45 ).

Um ponto a ser observado por nosso lado é da garantia da discrição – sigilo – em troca pelo lado do paciente, da sinceridade. Outro ponto está na escuta – a “atenção flutuante” proposta por FREUD quanto as palavras, chistes, lapsos, perguntas, dúvidas e outros.

2.3 A técnica da psicoterapia breve de orientação psicanalítica
BRAIER (2000) nos propõe uma técnica para a técnica da psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Alguns aspectos da técnica representam temas fundamentais para o seu manejo.
As entrevistas iniciais são primordiais para o sucesso psicoterápico. Os objetivos das entrevistas iniciais são os seguintes: (a) estabelecimento da relação terapêutica e (b) representa a possibilidade de criar condições para que o vínculo de confiança paciente-terapeuta se estabeleça e partir daí origine a relação terapêutica.
O autor observa que a relação terapeuta-paciente é menos distante e mais afetiva, segundo este, “por parte do terapeuta, e ao contrário do que ocorre no tratamento psicanalítico, existe uma maior proximidade afetiva” (BRAIER, 2000, p. 85). A adoção deste procedimento justifica o autor, é positivo para o processo da psicoterapia.
A coleta da história clínica consiste em buscar conhecer o sujeito. É importante conhecer a história de vida, familiar, relações no cotidiano, trabalho, lazer, situações de trauma, modos de conduta, dificuldades, e outros.
É importante que a Entrevista Devolutiva seja realizada numa linguagem clara e objetiva de modo que o paciente consiga entender o que o Psicólogo lhe transmite. Em resumo, realiza-se uma Interpretação Panorâmica, ou seja, um esboço global psicodinâmico da problemática ou conflitiva experenciada pelo paciente.
O contrato sobre metas terapêuticas é a apresentação dos objetivos a serem alcançados no processo de psicoterapia.
A duração do tratamento é dada segundo as características que compreendem determinadas variáveis, tais como: normas institucionais; limitação temporal própria do paciente ( por ex., motivo de viagem).
Comumente o objetivo e duração do tratamento é resolvida entre psicólogo e paciente no início do processo psicoterapêutico.
Outro teórico da psicoterapia breve, HEGENBERG (2004) propõe que se realize uma técnica que ele denomina de “Quatro Tarefas”.
As tarefas a que se refere HEGENBERG (2004) consistem em quatro: (1) Formular uma intervenção inicial baseada na angústia que motivou a procura por auxílio; (2) Reconhecer se há crise ou não; (3) Distinguir o foco; (4) Decidir a indicação.
HEGENBERG (2004) observa – baseado em sua experiência – que a quantidade de sessões suficientes para a resolução das tarefas acima mencionadas ficam entre uma e quatro. Desse modo as quatro tarefas fornecem tempo para que ocorra conhecimento mútuo e o estabelecimento de vínculo terapêutico. Abaixo descrever-se-á resumidamente as principais características de cada tarefa.
Na primeira tarefa a formulação de uma intervenção inicial é baseada na angústia que motivou a procura por auxílio, bem como insiste em reconhecer a fonte da indicação (instituição, professor, amigo, ex-paciente, médico, profissional de outras áreas), perceber a transferência, escutar o motivo da consulta, examinar as características da pessoa como o estilo (concentra uma construção estética, vestuário); postura (o que o corpo fala); fala (coerente ou não, em suma representa o processo de pensamento; tom de voz) e realizar a avaliação da personalidade.
Na segunda tarefa busca-se reconhecer se há crise ou não, se a apresentação de sintomas e angústia não configura crise. Esta crise representa uma ruptura – corte – na subjetividade do indivíduo promovendo desse modo uma quebra no sentido de vida.
A terceira tarefa permite distinguir o foco. Este foco do trabalho terapêutico está ligado a crise ou a alguma característica associada ao motivo da consulta.
Finalmente, a quarta tarefa possibilita decidir a indicação. Esta tarefa representa decidir se haverá indicação para a psicoterapia ou não. A modalidade de psicoterapia pode ser: breve, ou de apoio, ou longa.
Para que ocorra a indicação da psicoterapia breve alguns critérios são observados como: (a) crise; (b) possibilidade de atravessar a crise; (c) possibilidade de focalização; e (d) demanda de análise.
A partir desses itens de acordo com HEGENBERG (2004) realizar-se-á a continuidade do processo de psicoterapia ou o encerramento das quatro tarefas. Portanto, em linhas gerais a conclusão das quatro tarefas possibilita ao indivíduo perceber o que acontece consigo, conhecer seu conflito atual e a relação deste no passado e presente, bem como saber se há crise ou não, se pretende mudar ou apenas voltar ao ponto de equilíbrio.

2.4 O trabalho da interpretação no atendimento clínico em psicoterapia breve
O atendimento clínico se dá a partir de necessidades constatadas no decorrer de entrevistas (modelo proposto por OCAMPO, 1995). Essas entrevistas são valiosas, uma vez que a partir delas extraímos os dados e podemos constatar que o sintoma advém da dinâmica psíquica do indivíduo. Nesse caso, há indicação – encaminhamento – de intervenção terapêutica para este indivíduo.
O trabalho da psicoterapia breve consiste compreender a problemática central, a dinâmica do conflito que está calcada nas relações, bem como desfazer os mecanismos de defesa e elucidar as fantasias inconscientes, além de ajudar o indivíduo a perceber e elaborar as suas ansiedades e conflitos.
A possibilidade de elaboração de conflitivas viabilizam o desenvolvimento emocional deste indivíduo. Este desenvolvimento se dá quando procedemos de modo a clarear a situação, mostrando e pontuando a necessidade de desatarem os nós formados, as dificuldades (FREUD, 1937).
Como observado anteriormente, o trabalho de psicoterapia breve começa com uma queixa trazida, e ao psicoterapeuta cabe a escuta e advém dela, a interpretação, a possibilidade de desemaranhar a teia de problemática que o sujeito cria em torno de si.
O olhar analítico permite que vejamos os nós formados pelo sujeito. Os nós ou conflitivas são geralmente, decorrente da história de vida de cada um. Esses nós são desatados – desfeitos – no decorrer das sessões quando intervimos interpretando. Sempre interpretamos tornando consciente o inconsciente.
A interpretação é de fato ação do analista na clínica. Na psicoterapia breve (P.B.) não é diferente, a interpretação se torna importante, a interpretação se torna importante ao longo do tratamento, porém observando sempre que está será em torno do foco.
LAPLANCHE e PONTALIS (1996) destacam que a interpretação está no cerne do ensinamento e da técnica freudiana. Os autores entendem que a interpretação é uma investigação analítica que possibilita trazer esclarecimento do sentido latente de um dado material – conteúdo – trazido pelo cliente.
Em essência a interpretação é capaz de tornar consciente o conteúdo inconsciente (fantasias, mecanismos, angústias, desajustes, conflitos).
Através da escuta analítica não prestamos atenção ao assunto posto, e sim nas ligações que tem os assuntos postos, como afirma HERMAN (1991, p.35), “ (...) a sucessão dos temas, assim percebida, acaba por revelar uma espécie de área comum, ainda que em negativo, sobre a qual vamos centrar nossa interpretação.” Ficamos atentos – atenção flutuante – as palavras são colocadas ocultamente. Na compreensão do oculto, do inconsciente, interpretamos.
Se por um lado, a interpretação não é indução de ideias, sentimentos e atitudes, trazidas pelo indivíduo. Retiramos, o véu que oculta a dinâmica intrapsíquica. A interpretação é dada como observa HERMAN (1991, p.39) “(...) é bom que já se adiante, em doses homeopáticas, através de pequenos toques emocionais, sem induzir ideias ou sentimentos através de pretensas revelações magistrais”.
BRAIER (2000, p.101) observa que embora na P. B. se utilizem outros tipos de intervenções (perguntas, sugestões),a interpretação é sem dúvida “o elemento terapêutico essencial” .
Interpretamos tudo que o indivíduo traz para a sessão, seja as falas, os sonhos ou as ações, como por exemplo, as faltas, os atrasos. Porém, preocupamos em cuidar para que as interpretações não sejam “profundas” já que estas induzem à dependência regressivas e de acordo com BRAIER
Quanto à profundidade, minha impressão é de que habitualmente é limitada pelas próprias características do enquadramento (...). Além disso, interpretações “profundas” podem, em certas ocasiões, induzem a estados regressivos de certa consideração” (2000, p.101).

Para controlar a regressão BRAIER nos explica o seguinte procedimento
“Trata-se de não polarizar na direção que não fomente a regressão, dependência e a insegurança, e ao mesmo tempo de chamar a atenção do paciente para seus aspectos adultos ou mais bem integrados e para suas possibilidades evolutivas e autônomas” (2000, p. 112).

Isto significa que precisamos mostrar ao indivíduo aspectos adultos de si no momento atual – para que se possa controlar a instalação da regressão.
Importa lembrar que não devemos enfatizar aspectos infantis do indivíduo, visto que tal atitude pode fomentar a regressão.
A maneira como formulamos uma interpretação pode em grande medida ajudar o indivíduo compreender seu conflito atual.
Vale a pena destacar que na psicoterapia breve o trabalho da interpretação sempre está relacionado à situação-problema, bem como correlato ao foco do trabalho.
Também os sonhos são interpretados em psicoterapia breve, porém sempre as interpretações convergem para o foco do trabalho, este por sua vez derivado da problemática.
ROSEMBERG (1999) observa que no processo da psicoterapia quando o indivíduo (realmente) se envolve ocorrem transformações na personalidade e posterior desenvolvimento da subjetividade. Esse desenvolvimento se dá na medida em que o indivíduo vai deixando de ser o alvo e vítima de seus conflitos.
Diante desse quadro enfatizamos a importância de se trabalhar em cima do foco para que se possam elaborar elementos não resolvidos do passado e que estão reatulizados na situação-problema.
O trabalho – enquanto terapeuta – se dá na medida em que percebemos ser necessária a intervenção, ou seja, decorrente da escuta adequada. No nosso caso, utilizamos sempre a interpretação para propiciar a elaboração, a revelação e para promover transformações na dinâmica do indivíduo.

3. CASO CLÍNICO

Obs. o caso clínico foi retirado para preservar o sigilo .

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Psicoterapia Breve atualmente vem sendo adotada cada vez mais nos consultórios de psicólogos, e principalmente em instituições, por vários motivos.
Um dos motivos observados por HEGENBERG (2004) é sem dúvida a ausência de tempo que os indivíduos tem em seu cotidiano e a instituição pela quantidade de indivíduos que demandam psicoterapia. Outro ponto observado por este autor é a questão financeira.
HEGENBERG (2004) aponta que justificar a procura da psicoterapia breve a partir dos pontos acima mencionados é lamentável porque leva-se a ideia de que a modalidade sendo breve é em consequência superficial. Nada disso, observa o autor, já que segundo ele a psicoterapia breve pode ser “(...) curta duração e profunda, pode ser breve no tempo e duradoura em seus efeitos.” (HEGENBERG, 2004, p. 23).
Desse modo é possível realizar o exercício com confiabilidade e respeitabilidade que a prática da Psicoterapia Breve merece.
Para o trabalho de psicoterapia breve de orientação psicodinâmica observamos que o bom preparo do psicólogo se torna fundamental. Este preparo refere-se ao conhecimento da teoria, fundamento, método e técnica da Psicanálise


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAIER, E.A. Psicoterapia Breve de Orientação Psicanalítica. São Paulo: Martins Fontes, 2000

FREUD, Sigmund. Construções em análise. Rio de Janeiro: Edição Stardard Brasileira das Obras Psicológicas Completas, 1937, Vol. XII (Artigos sobre a Técnica)

FREUD, Sigmund. Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade. Rio de Janeiro: Edição Stardard Brasileira das Obras Psicológicas Completas, 1905

HEGENBERG, Mauro. Psicoterapia Breve. Clínica Psicanalítica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004

HERMAN, Fábio. A Moldura da Clínica. In: _________ Clínica Psicanalítica: A Arte da Interpretação. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1991, Cap. 3

LAPLANCHE e PONTALIS. Vocabulário da Psicanálise. 12 edição. São Paulo: Martins Fontes, 1996

MENNINGER, Karl e HOLZMAN. Teoria da Técnica Psicanalítica. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1982

NASIO, J.D.. Introdução à Obra de Freud. In: __________ Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995

NETO, Alfredo Naffat.. Édipo fala do Inconsciente. In: _________ O Inconciente. Um Estudo Crítico. São Paulo: Ática, 1985, Cap. I

OCAMPO, Maria Luiza e colab. A Entrevista de Devolução de Informações. In: _________ O Processo Psicodiagnóstico e as Técnicas Projetivas. São Paulo, Martins Fontes, Cap. 9

ROSEMBERG, Ana M.S.. Efeitos Transformadores da Clínica Psicanalítica. Uma Nova Forma de Abordar o Trabalho com os pais. São Paulo, 1999
Artigo extraído por Edilaine R., no dia 10 Ag 2004, através do site:
http://www.geocites.com/HotSprings/Villa/3170/AnaMariaSigalRosemberg2.htm

ZIMERMAN, David E.. Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 1999