sábado, 26 de fevereiro de 2011

Silêncio

Silêncio

Edilaine R.


.......................
A cada ano que passa eu silêncio mais. Vou silenciando a fala. Por outro lado, lá na mente as palavras ecoam. Os ecos daquelas tantas palavras que não foram ditas, colocadas para fora.


Na medida que o tempo passa os passos diminuem. A pressa de antes é paulatinamente substituída pela graça do um passo após o outro. Por que a pressa ? Por que correr ( pergunta-me a mente que faz o contrário ) ?


A lentidão do passo destoa com a pressa da mente. A mente vai embora, voa feito águia e sempre me pego caminhando cada vez mais lentamente como se fosse uma tartaruga.


O que a águia tem em comum com a tartaruga ? Nada eu penso, são apenas contrários em sua experiência de caminho, de vida.


O corpo não raras vezes tem vida própria e contraria sistematicamente o que deseja a mente. No entanto, a mente é mais poderosa e ganha sempre do corpo.


Enquanto planejo uma viagem, um passeio, a produção de um texto, a mente vai primeiro - ao destino e volta sem o corpo ter saído do lugar. Encontra pessoas, conversa, troca experiências, volta mais aberta e repleta de conhecimentos.


No silêncio de cada ano os conhecimentos acumulam-se nos baús da memória. Em cada baú há guardado inúmeras histórias e aventuras - que o corpo e a mente juntas produziram.


Em cada história uma imensidão de palavras, sonhos e vivências. Vivências como se sabe, podem ser boas e más. Logo, rememorar essas histórias é vivenciá-las de novo – prontamente, a velocidade da luz, estou lá de volta.


O que eu faço com as reminicências más ? Volto, refaço o caminho, fico triste, choro e final da história sorrio e me pergunto o que o mau me trouxe de bom ? É, porque nada é mau por inteiro ...


Com as histórias e aventuras boas nem preciso dizer que me divirto de novo.


É claro que como não estou morta - embora o corpo insista em querer parar, novas histórias e aventuras vão sendo produzidas no cotidiano. Daí, novos baús surgem e vão dando um jeito de se arrumar nos espaços da mente.


Essa arrumação vai ficando cada vez mais fácil e talvez seja por isso que eu vou silenciando mais a cada ano .

20 Fev 2011 03:00h ( madrugada )
 Meu Livro (em fase de construção): "Um Olhar em viés sobre o Cotidiano"

Nenhum comentário:

Postar um comentário